Skip to content

A Rosa é Obsoleta*

abril 22, 2007

A rosa é obsoleta

mas cada pétala termina em um corte, a dupla faceta

acimentando as entalhadas

colunas de ar

O corte corta sem cortar

encontra–nada–renova

a si mesmo em metal ou porcelana

pra onde? para o fim–

Mas se há um fim

o começo principia

de modo que tramar rosas

torna-se uma geometria–

Mas nítida e bem-feita, mais cortante, uma figura em maiólica

o prato quebrado

envernizado com uma rosa

Em algum lugar o sentido

faz rosas de cobre

rosas de aço–

A rosa carregava o peso do amor

mas o amor está no fim–das rosas

É no corte das pétalas

que o amor aguarda

Franzido, trabalhado para derrotar

o peso–frágil

escalpelado, úmido, semi-ereto

frio, preciso, pungente

O que

O lugar entre o corte da pétala e o

Do corte da pétala uma linha

principia

que sendo de aço

infinitamente fina, infinitamente

rígida penetra

A Via Láctea

sem contato–se erguendo dela–nem pendurada

nem empurrando

A fragilidade da flor

intocada

penetra o espaço

William Carlos Williams

[traduzido por M.D. Bandarra, em Março de 2004]

27.11.2007

No comments yet

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: