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sem palavras*

abril 22, 2007

no mundo não se escolhe a miséria, apenas se escolhe aceitá-la ou rebelar-se. a bruxa anda solta, meus amigos, todos precisam de algum amuleto. há aqueles que necessitam desesperadamente de atenção e acabam sem querer cultivando sua miséria na esperança de que esta os torne mais dignos de algum carinho. há também os que, diante da miséria, deixam-se tombar e absorvem o impacto entorpecente da dor, sem se importar com os danos. e finalmente há os que, como eu, se iludem simplesmente. compram a idéia cristã requentada de que o sentir da dor alheia tornará a sua mais tênue. mas a dor alheia não sabe sofrer como a minha, não tem as mesmas armas. a dor alheia perto da minha é um doce sonho que nunca poderei sonhar. a miséria é para todos, mas em silêncio. o silêncio é o combustível de todas as dores. se dóem é preciso calá-las para que adormeçam em nós. perdê-las em nós seria perder o próprio significado de todas as lições. não me digas da tua dor, pois ninguém pode arrancar sequer um ai do meu coração duro e encraquilhado. ele já não sente nada. há anos morre em silêncio.

31.01.2003

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