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THIN*

abril 22, 2007

gorda! Ontem assisti o novo documentário da HBO, THIN (dir. Lauren Greenfield). Há tempos que essa coisa de anorexia nervosa e bulimia está na moda. Eu sempre tive um certo preconceito com isso de magreza, talvez por eu mesma não ser magra, talvez porque eu me revoltar com a intolerância dos magros em relação àqueles que não estão nem aí. Nunca contei calorias, nunca vou contar. A única dieta que serve pra mim é Atkins. Não chego a ter uma alimentação saudáááável, mas também não sou nenhuma amante de junk-food. Quero dizer, sim, hambúrgueres são uma delícia, mas eu prefiro fazê-los em casa do que comer os de minhoca. Tenho resistência em consumir produtos muito processados, industrializados desnecessários, e et ceteras. Mas não há como negar que estou acima do peso. Não só acima do peso das modelos (até porque 98% das pessoas — exceto na África sub-saárica — também estão), mas também acima do peso que minhas articulações agüentam. Então, meu ponto de vista, ao começar a assistir o documentário, era o de quem estava louca para ridicularizar as magras assim como elas gostam de ridicularizar as gordas.Mas não consegui. Claro que não existe nada mais irracional do que uma pessoa que quer tanto ser magra que não se importa em morrer para tanto, mas THIN revela muitas camadas por trás da obsessão com a magreza, não só a percepção distorcida da auto-imagem, que é comum a quase todas as mulheres (mesmo), mas principalmente os fatores familiares e culturais que acabaram tornando anorexia e bulimia doenças hype entre as adolescentes (no Brasil, elas se referem às doenças com os apelidinhos fofos de Ana e Mia). Não tem como ridicularizar essas mulheres, porque elas não são a causa da própria loucura, embora sejam as únicas responsáveis diretas, e as únicas pessoas capazes de reverter o processo. Na verdade, as anas/mias da vida não passam de uma ilustração do ponto em que pode chegar a crueldade de um padrão rígido.

É verdade que algumas pessoas nasceram magras, são abençoadas com metabolismos rápidos. É para elas que foi feito o mundo da moda. É verdade também que alguns séculos atrás essas mulheres seriam relegadas à marginalidade, e ficariam encalhadas, seriam consideradas as mocréias da paróquia. Mas os tempos são outros. O preconceito com a fofurinha atingiu picos inimagináveis, sobretudo entre as mulheres. Sim, porque os caras gordos também sofrem preconceito, mas devido à natureza das funções sociais da mulher, uma mulher que não é “comível” não serve pra nada. Ou melhor, serve para muito poucas coisas, sendo uma delas a chacota. Tem que ficar escondida, e de preferência não se manifestar (não até fazer um regime e ficar passável, pelo menos). De certa forma, as próprias mulheres são responsáveis por isso, se deixando coisificar, preferindo o reconhecimento do corpo ao reconhecimento da mente.

E não adianta vir com essa de que “hoje em dia as mulheres estão até em cargos de chefia nas grandes empresas”, porque essas mulheres simplesmente não são gordas! E as que eram fizeram lipoaspiração, e não comentam sobre o assunto. Sei de uma executiva excelente que perdeu uma oportunidade de trabalho para a qual ela era a mais qualificada, por causa da aparência. Ela pesa quase duzentos quilos, mas era muito mais competente do que os concorrentes para a vaga. O cara que ganhou a vaga, constrangido, pediu ao recrutador que contratasse a gordinha para assessorar o projeto, pois ela afinal de contas “sabia muito mais do que ele sobre a área”.

Entenderam? É isso o que está acontecendo aqui. A única forma que uma mulher tem de ser amada, é emagrecendo. E nunca se viu tantas anas e mias juntas, na mídia e nas ruas. No momento em que milhares e milhares de mulheres preferem morrer a ser gordas, aí é que eu penso — como mulher e como gorda — que os gordos são os negros da beleza.

"Quando eles vierem, vão comer os gordos primeiro."

Por outro lado, o termo “distúrbio alimentar” ficou atrelado a essas duas doenças: a anorexia e a bulimia, mas pesquisando na internet (a meca dos hipocondríacos), encontrei a descrição do meu distúrbio alimentar.

Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica
Estudos em comunidades indicam que entre 2% e 5% dos norte-americanos apresentam um transtorno de compulsão alimentar. Eles executam verdadeiras farras (binges), ou seja, excessos alimentares agudos num período de 6 meses. Os sintomas incluem:
1. Episódios recorrentes de alimentação compulsiva, caracterizados pela ingestão de uma quantidade excessiva de alimentos num determinado período e por uma sensação de falta de controle sobre a ingestão desses alimentos durante o episódio;
2. Os episódios de compulsão alimentar se associam a pelo menos 3 das seguintes situações: comer muito mais rapidamente que o normal; comer até se sentir desconfortavelmente cheio; comer uma grande quantidade de alimento sem estar fisicamente com fome; comer sozinho por ficar constrangido com o quanto ingere; e sentir nojo de si mesmo, depressão ou muita culpa após comer em excesso;
3. Angústia acentuada devido ao comportamento de alimentar-se excessivamente (compulsivamente);
4. A compulsão ocorre, em média, pelo menos 2 dias por semana por 6 meses;
5. Os excessos não se associam à prática de comportamentos compensatórios inadequados (p. ex. purgação, jejum, exercícios excessivos).

As pessoas com transtorno de compulsão alimentar apresentam episódios freqüentes e descontrolados da ingestão de alimento, com os mesmos sintomas de excessos das pessoas com bulimia.
A diferença principal é que os indivíduos com transtorno de compulsão alimentar periódica não purgam o corpo das calorias excessivas. Por esta razão, muitos dos portadores do transtorno apresentam excesso de peso para sua idade e altura.
Os sentimentos de nojo e vergonha de si mesmo podem levar a novos episódios compulsivos, criando um círculo vicioso de farras alimentares.

Até que enfim! Um distúrbio alimentar que deixa as pessoas gordas! Aí está nossa vantagem. É muito mais difícil morrer de comer compulsivamente do que morrer de não comer. A vingança! Ah, como é doce. Falando em doce… que delícia essa balinha de Canela.

15.03.2007

2 Comentários leave one →
  1. sandraregina permalink
    outubro 14, 2007 11:33 pm

    MINHA FILHA TEM ACESSOS DE INGESTÃO DE AÇUCAR.
    CHEGA A COMER AÇUCAR PURO OU ENTÃO UMA LATA INTEIRA DE LEITE CONDENSADO
    NÃ O QUER CONVERSAR SOBRE O ASSUNTO
    NEM A SIBURAMINA TEM RESULTADO.
    O QUE DEVO FAZER

  2. janeiro 21, 2008 1:23 am

    leva ela no médico. e não acredite no que os blogueiros dizem.
    ^_^

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