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O sol deixa saudades

junho 17, 2007

O sol satura as cores da cidade, e a chuva tira o brilho de tudo. O sol é cinema mexicano, enquanto a chuva é noir.

No entanto, não custa ver as pequenas coisas boas. Uma poça reflete o pedaço de nuvem, onlulando num rit-ti-ti-ti-di com o vento que corta a avenida.

As árvores, em sentinela, brilham e se parecem se desfazer em gotas, brincando no banho como crianças ou cachorros.

Ó, água do céu que faz de marquises cascatas, de garagens piscinas, e dos paralelepípedos o leito de um rio pedregoso, que não se ousa cruzar sem um bom cavalo.

Água que não hesita, não pensa, simplesmente flui. Cada gota é um pedaço de mar, lágrimas, lago, suor, sangue e nascente. A imortalidade da fluidez está em cada partícula, cada molécula.

A chuva que te molha não pergunta teu nome. Te engole, te traga em bocados, mas não te consome. Com a água da chuva evapora algo de imundo no coração do homem.

Ó intrincadas cadeias de matéria e pensamento! O inconcebível é uma forma de prisão. Três vezes à traição te entregaste, e o galo ainda não cantou. Não ousas, não te aventuras, não me peças as horas, não me enganas. Acaso não és mortal, como eu?

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