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ESQUECIMENTO

março 6, 2008

bc

O nome do autor é o primeiro a ir embora obedientemente seguido do título, do enredo, da conclusão angustiante, de repente o romance inteiro se torna algo que você nunca leu, do qual nunca ouvir falar, como se, uma a uma, as memórias que você mantinha decidissem se mudar para o hemisfério sul do cérebro, para uma pequena vila de pescadores onde não há telefones. Há muito você beijou e disse adeus aos nomes das nove Musas e viu a equação quadrática fazer as malas, e até mesmo agora ao memorizar a ordem dos planetas, algo está escapando, talvez a flor símbolo de um estado, o endereço de um tio, a capital do Paraguai. O que quer que você esteja se esforçando para lembrar não está equilibrado na ponta da língua nem escondido em algum canto obscuro do baço. A coisa desceu pela correnteza daquele rio mitológico e sombrio cujo nome começa com L, pelo que você lembra, em sua jornada para o ostracismo onde você se unirá àqueles que esqueceram até mesmo como nadar e andar de bicicleta. Não é de admirar que você levanta no meio da noite para consultar a data de uma famosa batalha em um livro sobre a guerra. Não é de admirar que a lua na janela parece ter escapado de um poema de amor que você um dia soube de cor.

tradução de M.D. Bandarra: Porto Alegre, 6 de março de 2008
[sugestões e críticas são bem vindas]

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