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Pubiscidade

junho 2, 2009

Nos últimos 18 meses assisti mais TV do que nos 8 anos anteriores. Isso não quer dizer que eu não assistia PROGRAMAÇÃO de TV, eu simplesmente baixava o que queria e assistia. E isso me manteve, por muito tempo, protegida dos comerciais. Não vou cuspir no prato que já me encheu a barriga: acho que a publicidade PODERIA ser uma área muito interessante. Mas continuo me chocando quase que diariamente com o nível dos comerciais.

Um fenômeno interessante que tenho observado é como os publicitários recorrem à humilhação para vender coisas a mulheres. E a escatologia também está em alta. Com Activia você vai cagar duas vezes seu peso diariamente, sua anal-retentiva! Uma marca branca de desodorante “acaba com qualquer mulher” (e faz com que ela ganhe o desprezo da Ana Hickmann).

Mas o comercial abaixo é simplesmente o pináculo da combinação entre humilhação e a escatologia. Nesse comercial de um “sabonete íntimo” (ah, o eufemismo) a  tal Thalita Rebouças (de quem eu pessoalmente nunca ouvi falar) invade a casa de duas meninas e manda elas LAVAREM A BUCETA.

Uma análise superficial revela diversas premissas interessantes dessa peça. Um dos conceitos em jogo é o de que garotas que fazem chapinha têm a buceta fedida. A chapinha, que é uma notória arma usada pelas meninas para se sentirem mais seguras, é colocada como superficial. O importante é ter a buceta cheirosa.

Para “vender o peixe”, a idéia subjacente é a de que um banho normal não é o suficiente para manter suas partes íntimas limpinhas. Só o sabonetinho de buceta é capaz de salvar as garotas da má fama que vem com o odor de peixe podre (alguém pensou clamídia?).

O lance é também, naturalmente, humilhar as meninas, que são expostas a uma câmera estilo “reality show”, enquanto a cruel apresentadora, ao dirigir-se ao câmera-man, enuncia: “Vamos ver se as meninas estão se cuidando?” querendo dizer “Vamos ver se a buceta delas está limpa ou não?”.

O ápice da humilhação acontece quando a “apresentadora” grita para as duas: “Meninas, já pro banho”, um enunciado que as reduz de adolescentes a crianças, colocando a mulher mais velha (quem essa Thalita Rebouças pensa que é? Pelo nome eu diria que já é bem rodada.) na posição de ensinar às garotas os truques da mulher que dá pra todo mundo. Tipo “Seguinte, gurias, se vocês quiserem dar geral, tem que tomar banho com esse sabonetinho aqui ó. Senão todo mundo vai falar que vocês são fedorentas e aí não adianta hidratante nem chapinha”.

Agora me digam se uma coisa dessas não é ultrajante. Me digam se eu é que estou louca.

2 Comentários leave one →
  1. junho 5, 2009 8:54 pm

    Cara, estou com cãibra nas bochechas (atenção para o h!) de tanto rir. Adorei o texto e a análise higiênico-bucetiana.

  2. tati rosa permalink
    julho 14, 2009 9:10 pm

    No mesmo gênero rolo-compressor, versão programa de TV:
    http://www.sbt.com.br/esquadraodamoda/videos/

    Se quer ver algum, vê o da Ana Luiza, que passou o programa todo dando nos dedos dos apresentadores sem que eles percebessem.

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