O segredo do corpo presente

Em um texto chamado A verdadeira aparência das pessoas (em tradução minha), o massoterapeuta americano Dale Favier, acostumado a ver corpos nus diariamente, compartilha uma visão belíssima e necessária sobre a aparência do corpo humano em sua nudez. Traduzi alguns destaques para compartilhar porque me comoveu o olhar dele sobre o assunto e sinto que não há gente suficiente falando sobre isso. Espero que seja inspirador e útil para você como foi para mim.

Foto por Ramona Zordini, clique para ver a série completa

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Vamos começar com a aparência que ninguém tem: ninguém se parece com as pessoas nas revistas ou nos filmes. Nem mesmo modelos. Ninguém. As pessoas magras têm a crueza dos ossos mais aparentes e a superfície de sua pele parece ter uma espécie de “acabamento fosco”, o que é muito bonito. Mas elas não têm seios e bundas roliços e arredondados. Se você têm seios e bunda roliços e arredondados, sua barriga e coxas também são roliças e arredondadas. É assim que a coisa funciona (e isso também é muito bonito.)

As mulheres têm celulite. Todas elas. É bonitinho, são como covinhas. Não é um defeito. Não é um problema de saúde. É a consequência natural de não ser feita de pixel photoshopados e de não ter sido criada por um aerógrafo.

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Adultos têm flacidez. Não importa o quão em forma estejam. A cada década, a pessoa adulta vai ficando mais flácida. Todos os tecidos vão ficando mais frouxos. Além disso, eles vão enrugando. Eu não sei quem começou o boato de só pessoas velhas ficam enrugadas. Você começa a enrugar quando começa a flacidez começa, assim que você cresce totalmente e o processo vai progredindo naturalmente enquanto você estiver vivo. E esperamos que você viva muito tempo, não é mesmo?

Todo mundo é lindo em uma mesa de massagem. Não há exceções a essa regra. Naquele primeiro suspiro longo, no momento em que a pessoa pensa “Agora eu posso parar de segurar, estou em segurança” — começa uma espécie de luminosidade, um brilho. Dentro de alguns minutos todo o corpo vai ficando radiante com essa luz. Ela inunda todo o ambiente: ela inunda o massoterapeuta também. Dizem que os massoterapeutas são cuidadores e eu acho que somos, mesmo: gostamos de cuidar das pessoas, somos facilmente movidos à ternura. Mas vou contar um segredo aqui: eu faço pelo brilho.

Vou contar para vocês com o que as pessoas se parecem, de verdade: elas se parecem com chamas. Ou com estrelas, em uma noite de céu limpo, no meio do nada.

Porque eu vivo há décadas em um corpo de mulher, me acostumei a aceitar como normal o constante escrutínio do meu corpo. “Isso aqui tá gordo, ó. E aqui tá mole, e ali tá feio.” Mesmo que você não viva em um corpo de mulher, certamente você conhece essa sensação. A rejeição do próprio corpo é uma epidemia.

Por isso, neste momento, te convido a fazer comigo um pacto: não esquecer nunca para que serve o nosso corpo. Sempre que olhar para o seu corpo nu no espelho, ou sentir a textura de sua pele,  proponho uma respiração profunda para lembrar que essa luz, esse calor, só podem existir no recinto porque seu corpo está ali.  Com o bombardeio de representações ficcionais do corpo que nos cerca, é fácil esquecer que nossa verdadeira aparência é radiante. E quanto mais a gente esquece,  mais vai se apagando.

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TEDxAmazônia: ideias e ideais no coração das trevas

Nos dias 6 e 7 de novembro de 2010, vivi a privilegiada experiência de estar entre os cerca de 500 participantes do TEDxAmazônia, um evento extremamente empolgante e que consegue criar uma atmosfera de pura cooperação, na qual a boa vontade reina, o bom-dia é sincero e os sorrisos abundantes. Tive o privilégio de participar também do TEDxSãoPaulo, em 2009, que me possibilitou experimentar pela primeira vez as conversas, encontros e ideias que fazem do formato TEDx um sucesso. Licenciados pelo TED original, lar das ideias livres e inspiradoras, os TEDx são eventos independentes, organizados localmente. Dá um pulinho para ler meu relato totalmente subjetivo e nada linear sobre a experiência.

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Ars Brevis Vita Longa

Então, no fim do mês passado eu fui assistir o último trabalho do João de Ricardo (JdR), Homem que não vive da glória do passado (HQNVDGDP), no Teatro de Câmara. Fazendo já de início o disclaimer, João me é muito querido, e há muitos anos. Mas isso pouco tem a ver com o fato de que está é, para mim, a peça mais importante dos últimos (quantos? muitos!) anos a apresentar-se na amada Portinho. Ora, por quê? Interessante você perguntar…

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Como os jogos podem nos tornar pessoas super-melhores

Essa aí em cima é a Jane McGonigal, falando sobre os super-poderes dos gamers e como eles podem ajudar a mudar as coisas na vida real. O mais recente dos “jogos transformadores de realidade” de McGonigal é Evoke, que começou no dia 3 de março e vai até 12 de maio. A ideia é incentivar inovação social na África e em outros locais em desenvolvimento. Aí embaixo, o vídeo.

Eu entrei em contato com o trabalho dela através do TED, mesmo, no início deste ano, e fiquei fascinada com o caso de SuperBetter, o jogo que ela inventou para se curar de uma concussão. Desde então, venho pensando em possíveis adaptações e estou cada vez mais fascinada pela possibilidade de um ARG online que funcione como terapia cognitivo-comportamental em grupo. A diferença, em relação à iniciativa da McGonigal, é que será aberto pra mais pessoas (não tem um protagonista) e jogado através de redes sociais online.

Quem tiver vontade de jogar ou sugestões pra viabilizar esse jogo que estou (de forma nada inovadora) chamando de SuperMelhor pode entrar em contato pelos comments. É TCC em grupo, segundo o amigo namelue. A ideia é que o universo narrativo seja de super-heróis, pra que todo mundo possa ser protagonista, então é só escolher um super-herói (ou super-heroína, embora genderqueers sejam bem-vindos) e definir quais os seus objetivos/vilões/etc. A ideia está em incubação, por enquanto só consegui convencer um amigo (eu sou a Word Girl e ele é o DareDevil, então esses já têm dono). É possível que eventualmente haja uma segmentação natural do grupo segundo os objetivos, e acho que a coisa que mais precisamos no momento é de um programador ou alguém que entenda de projetos web, pra dar uns conselhos.

Dito isso, let’s rock!