AQSE S02E01 – A Loca

Neste primeiro episódio da encarnação podcast do AQSE, converso com o Prof. Dr. Eduardo Marks de Marques e dou as boas vindas à nossa correspondente exclusiva,  a fantástica Mulher Photoshop. Falamos de loucas na literatura, Marcha das Vadias e muito mais. Clique na imagem ao lado ou aqui para fazer o download do podcast.

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Tortura #1

Em junho de 2003, eu estava arrumando o quarto e a quantidade de papel estava ultrapassando todos os limites. Para reduzir o volume de papelada, comecei a criar recortes essenciais e fui colando as coisas mais legais em um “boneco”. Ao fim de algumas horas, o quarto seguia bagunçado, mas nascia o Tortura Zine. Como estou pilhada em fazer um terceiro (e derradeiro) Tortura, resolvi escanear as duas primeiras edições para disponibilizar na web. Clique aqui para ler e/ou baixar o Tortura #1.

 

Primeiras impressões de leitura: Richard Yates (Tao Lin)

Uma coisa é certa: essa capa é muito boa!

Richard Yates, segundo romance de Tao Lin (de quem eu não lera nada anteriormente), foi uma leitura em tempo recorde. Tao Lin é um autor da assim chamada geração de autores “da Internet” (que é um rótulo meio furado, mas no Brasil parece integrar mais ou menos a galera do COL, pelo pouco que vejo na mídia). Sendo assim, seria de esperar um livro curto e cheio de referências pop, porque essas são, de um jeito covardemente generizante, características que figuram na nossa matriz de expectativas em relação a esses escritores. Por conta desses preconceitos, a voracidade da minha leitura teve menos a ver com a qualidade do que com minha vontade de achar algo pra não gostar.

E os elementos que me irritam, de fato, estavam todos ali. Referências a lugares, referências a pessoas, a canções, a marcas, etc., que servem para despertar no leitor um sentimento de “eu pertenço, eu entendo a piada”, mas estranhamente isso não me incomodou, talvez porque as referências servissem não para tornar atual uma coleção de clichês atemporais (como é o caso de tantos e tantos adeptos da temível literatura pop*), mas principalmente porque Richard Yates é realmente uma história cravada em um ponto no espaço e no tempo. Há alguns anos, tive uma discussão com @xerxenesky sobre Juno, e não consegui explicar porquê eu tinha gostado do filme. Agora vejo que era isso; há ficção sobre pessoas e há ficção sobre pessoas no tempo. As regras podem ser mais flexíveis. O mesmo princípio justifica porque, depois de 25 anos de apatia, transgressão e cinismo em relação à moda e sua superficialidade, passei a entender que certas coisas têm valor histórico. Olha a segunda onda do feminismo, por exemplo; olha o fascismo. Coisas que eram essencialmente desprezíveis sob muitos aspectos, mas que são inevitáveis de um ponto de vista histórico. All you need is love. E um tanto de senso crítico.

(dá o pulinho pra ler o resto, tá?)

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Vende-se (um fragmento)

Há nas ruínas um tipo de construção que poucos compreendem. Se toda ordem tem seu caos, todo caos tem sua ordem. Coisas assim. Nisso escolho crer, sem que me pese sobre os ombros mais que uma rocha de médio porte. Caminho depressa entre a multidão, vitrines cheias de televisores com suas cores achatadas. O mundo encapsulado pelas ondas de um satélite: uma certa doçura inpensável em tudo isso, sem dúvida. Mas não para mim. Claro que não. Do princípio, então. Tudo o que se pode saber de mim é que estou viva. De um modo obscuramente óbvio esse é o melhor resumo de minha existência.