(She) Is a bella

Por doze longos anos, ouvi as pessoas me chamarem por um nome que não era o meu. ‘Isabela Rosselini’, sempre gostei do som sibilante e serpenteado que de suas bocas explodia, minha ficção particular. Não sou Isabela. Mas com o tempo esqueci desse detalhe. Não há nada pior no mundo do que se esquecer quem é. É claro, o ostracismo tem seus encantos, uma certa ilusão de liberdade. Mas esquecer significa, inevitavelmente, sentir o vazio. É como se aquela sensação de esquecer algo antes de sair (pode ser a carteira, o endereço do lugar para onde se vai, ou as chaves) invadisse todo o organismo, como um balão gigante, que se enche mais e mais com o sopro dos anos que passam, e no fundo você sabe que ele vai explodir e revelar essa memória até que não reste mais nada de confortável ou encantador, todo o esquecimento se vá e reste somente um estranho. Um estranho dentro do qual se está aprisionado.

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