O Apocalipse dos Cavalheiros

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Demissão performática

Eu sempre tenho um misto de admiração e uma certa invejinha de pessoas assim, como o Joey, que conseguem performatizar no mundo da hipocrisia. Sempre fui cagona pra esses grandstandings, sempre tive medo de precisar de uma indicação da pessoa… Isso também tem a ver com o fato de que desde os 19 presto serviço especializado — em um mercado restrito onde meio mundo se conhece…

Primeiras impressões de leitura: Richard Yates (Tao Lin)

Uma coisa é certa: essa capa é muito boa!

Richard Yates, segundo romance de Tao Lin (de quem eu não lera nada anteriormente), foi uma leitura em tempo recorde. Tao Lin é um autor da assim chamada geração de autores “da Internet” (que é um rótulo meio furado, mas no Brasil parece integrar mais ou menos a galera do COL, pelo pouco que vejo na mídia). Sendo assim, seria de esperar um livro curto e cheio de referências pop, porque essas são, de um jeito covardemente generizante, características que figuram na nossa matriz de expectativas em relação a esses escritores. Por conta desses preconceitos, a voracidade da minha leitura teve menos a ver com a qualidade do que com minha vontade de achar algo pra não gostar.

E os elementos que me irritam, de fato, estavam todos ali. Referências a lugares, referências a pessoas, a canções, a marcas, etc., que servem para despertar no leitor um sentimento de “eu pertenço, eu entendo a piada”, mas estranhamente isso não me incomodou, talvez porque as referências servissem não para tornar atual uma coleção de clichês atemporais (como é o caso de tantos e tantos adeptos da temível literatura pop*), mas principalmente porque Richard Yates é realmente uma história cravada em um ponto no espaço e no tempo. Há alguns anos, tive uma discussão com @xerxenesky sobre Juno, e não consegui explicar porquê eu tinha gostado do filme. Agora vejo que era isso; há ficção sobre pessoas e há ficção sobre pessoas no tempo. As regras podem ser mais flexíveis. O mesmo princípio justifica porque, depois de 25 anos de apatia, transgressão e cinismo em relação à moda e sua superficialidade, passei a entender que certas coisas têm valor histórico. Olha a segunda onda do feminismo, por exemplo; olha o fascismo. Coisas que eram essencialmente desprezíveis sob muitos aspectos, mas que são inevitáveis de um ponto de vista histórico. All you need is love. E um tanto de senso crítico.

(dá o pulinho pra ler o resto, tá?)

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