AQSE S02E01 – A Loca

Neste primeiro episódio da encarnação podcast do AQSE, converso com o Prof. Dr. Eduardo Marks de Marques e dou as boas vindas à nossa correspondente exclusiva,  a fantástica Mulher Photoshop. Falamos de loucas na literatura, Marcha das Vadias e muito mais. Clique na imagem ao lado ou aqui para fazer o download do podcast.

Continuar lendo

Anúncios

homem > máquina < homem

manmachineintro

capítulo zero: notas para uma análise da conversa mediada por máquina

– o riso na conversa mediada por máquina (CMM) é um operador; não funciona como o riso na conversa face-a-face (CFF)

– os turnos não são percebidos como alternados entre os participantes, necessariamente. é possível que um mesmo participante segmente seu turno em tantos subturnos quanto desejar. isso cria a possibilidade de observarmos pares adjacentes entre uma mesma pessoa (nesse caso não seriam pares? o par implica em troca de turno?)

– papel dos emoticons na CMM (visual aids da interação): um emoticon pode ser um turno (operador, não proposição — exceto em emoticons que trazem texto, desconsiderados pela análise)

– o papel dos emoticons versus expressões faciais (texto versus vídeo). aqui, a melhor opção para coleta de dados de ambos os tipos seria gravar em screencast a tela dos participantes, pra que se tenha todas as informações da máquina (desde “fulano está digitando uma mensagem” até o que cada participante digita e apaga sem que o outro saiba).

Pubiscidade

Nos últimos 18 meses assisti mais TV do que nos 8 anos anteriores. Isso não quer dizer que eu não assistia PROGRAMAÇÃO de TV, eu simplesmente baixava o que queria e assistia. E isso me manteve, por muito tempo, protegida dos comerciais. Não vou cuspir no prato que já me encheu a barriga: acho que a publicidade PODERIA ser uma área muito interessante. Mas continuo me chocando quase que diariamente com o nível dos comerciais.

Um fenômeno interessante que tenho observado é como os publicitários recorrem à humilhação para vender coisas a mulheres. E a escatologia também está em alta. Com Activia você vai cagar duas vezes seu peso diariamente, sua anal-retentiva! Uma marca branca de desodorante “acaba com qualquer mulher” (e faz com que ela ganhe o desprezo da Ana Hickmann).

Mas o comercial abaixo é simplesmente o pináculo da combinação entre humilhação e a escatologia. Nesse comercial de um “sabonete íntimo” (ah, o eufemismo) a  tal Thalita Rebouças (de quem eu pessoalmente nunca ouvi falar) invade a casa de duas meninas e manda elas LAVAREM A BUCETA.

Uma análise superficial revela diversas premissas interessantes dessa peça. Um dos conceitos em jogo é o de que garotas que fazem chapinha têm a buceta fedida. A chapinha, que é uma notória arma usada pelas meninas para se sentirem mais seguras, é colocada como superficial. O importante é ter a buceta cheirosa.

Para “vender o peixe”, a idéia subjacente é a de que um banho normal não é o suficiente para manter suas partes íntimas limpinhas. Só o sabonetinho de buceta é capaz de salvar as garotas da má fama que vem com o odor de peixe podre (alguém pensou clamídia?).

O lance é também, naturalmente, humilhar as meninas, que são expostas a uma câmera estilo “reality show”, enquanto a cruel apresentadora, ao dirigir-se ao câmera-man, enuncia: “Vamos ver se as meninas estão se cuidando?” querendo dizer “Vamos ver se a buceta delas está limpa ou não?”.

O ápice da humilhação acontece quando a “apresentadora” grita para as duas: “Meninas, já pro banho”, um enunciado que as reduz de adolescentes a crianças, colocando a mulher mais velha (quem essa Thalita Rebouças pensa que é? Pelo nome eu diria que já é bem rodada.) na posição de ensinar às garotas os truques da mulher que dá pra todo mundo. Tipo “Seguinte, gurias, se vocês quiserem dar geral, tem que tomar banho com esse sabonetinho aqui ó. Senão todo mundo vai falar que vocês são fedorentas e aí não adianta hidratante nem chapinha”.

Agora me digam se uma coisa dessas não é ultrajante. Me digam se eu é que estou louca.

It’s Normal For Gifted People!

gift

It is NORMAL for Gifted People to:
Have complex and deep thoughts. Feel intense emotions. Ask lots of questions. Be highly sensitive. Set high standards for themselves. Have strong moral convictions. Feel different & out-of-sync. Be curious. Have a vivid imagination. Question rules or authority. Thrive on challenge. Feel passion and compassion. Have a great deal of energy. Have an unusual sense of humour. Feel outrage at injustice. Look for meaning in life. Feel sad about the state of the world. Feel a spiritual connection to life.

É NORMAL para os superdotados:
Ter pensamentos complexos e profundos. Sentir emoções intensas. Fazer muitas perguntas. Ser altamente sensível. Estabelecer padrões altos para si mesmo. Ter convicções morais fortes. Sentir-se diferente e fora-de-compasso. Ser curioso. Ter uma imaginação vívida. Questionar regras ou autoridade. Sair-se bem com desafios. Sentir paixão e compaixão. Ter uma grande quantidade de energia. Ter um senso de humor incomum. Sentir-se ultrajado e injustiçado. Procurar um sentido na vida. Sentir-se triste quanto à situação do mundo. Sentir uma conexão espiritual com a vida.

© The Gifted Resource Center and Lesley Sword, Ph.D

Eu estava tropeçando hoje à tarde quando topei com esse site (supracitado) sobre os problemas sociais e psicológicos enfrentados pelos bemsuperdotados. Assim como o Roger do Ultraje, me dei conta de que eu (silly little me) também sofro com as agruras da *ahem, ahem* superioridade criativa e intelectual e os grilhões dessa nossa sociedade mocoronga. Sem querer soar coitadinha, até porque durante 99% do tempo eu NÃO PREFERIA SER BURRA OU SUPERFICIAL mas, de fato, é muito difícil encontrar pares dispostos a discutir abstrações ou pessoas que sintam intensamente as coisas. Talvez por isso eu tenha ido para a faculdade: pela simples ilusão de que lá as pessoas seriam mais parecidas comigo do que no colégio (ledo engano, naturalmente).

Achei bem massa a parte que fala sobre como as meninas são marginalizadas por serem incapazes de se moldarem às idéias pré-concebidas do que uma mulher deva ser, ou do que um gênio deva ser. Se bem que concordo com a espetacular Camille Paglia no que diz respeito à saída feminista da coisa (citação abaixo), mas ainda assim, a genialidade não combina com maternidade. A maternidade é essencialmente burra, per se.

Male conspiracy cannot explain all female failures. I am convinced that, even without restrictions, there still would have been no female Pascal, Milton, or Kant. Genius is not checked by social obstacles: it will overcome.

Uma conspiração masculina não pode explicar todos os fracassos femininos. Estou convencida de que, mesmo sem restrições, não haveriam existido versões femininas de Pascal, Milton ou Kant. O gênio não é restringido pelos obtáculos sociais: ele os supera.

Camille Paglia, Sexual Personae

Deo Ignoto

opium

Desde que me entendo por gente, sempre fui ligada à espiritualidade. Lembro de sentir um grande carinho por Cristo, ainda na infância, e de chorar copiosamente diante das agruras da paixão, que as freiras do colégio descreviam com crescente dramaticidade à medida em que avançávamos na matéria.

Já fui católica, evangélica, budista, agnóstica, espírita, pagã e telepata. Nada deu certo. Atualmente professo a libertação individual e estou bem mais satisfeita. A verdade é que precisamos de sistemas para nos mantermos na linha, e a maioria das pessoas não consegue criar a ordem a partir do caos. Poucos podem se dar ao luxo de desenvolver seus dogmas pessoais, mas aos que podem, devo dizer: façam-no.

Já se passaram anos desde que eu descobri que era incapaz de me conformar a uma doutrina, e comecei a conformar as doutrinas a mim. Desde então, venho me tornando uma sacerdotisa para minha própria congregação de fiéis interiores, e para dizer a verdade, it feels damn good. Better than crack. Ao Deus desconhecido, peço perdão pela ignorância. Aos conhecidos, um beijo, uma prece e um abraço.