MATRIMÔNIO

MATRIMÔNIO

Gregory Corso (traduzido para o português por M.D. Bandarra, 1998)

(publicado originalmente no site traição)

Devo casar-me? Devo ser bom?
Assustar a moça da porta ao lado com meu terno de veludo e capote faustoso?
Não levá-la ao cinema mas aos cemitérios
contar tudo sobre banheiras de lobisomem e clarinetes bifurcados
então desejá-la e beijá-la e todas as preliminares
e ela indo tão longe e eu entendendo o porquê
não me zangando e dizendo Você deve sentir! É lindo sentir!
Ao invés tomá-la em meus braços recostar em uma velha lápide encurvada
e cortejá-la toda a noite as constelações no céu-

Quando ela me apresentar a seus pais
coluna alinhada, cabelo enfim penteado, estrangulado por uma gravata
devo sentar-me joelhos unidos em seu sofá de interrogatório
e não perguntar Onde é o banheiro?
Como sentir senão que eu sou, sempre pensando no sabão do Flash Gordon-
Ó que terrível deve ser para um jovem
sentado diante da família e a família a pensar
Nós nunca o vimos antes! Ele quer nossa Mary Lou!
Depois do chá e biscoitos feitos em casa eles perguntam Que você faz pra viver?

Devo dizer-lhes: Eles gostariam de mim, então?
Dizem Tudo bem, casem, nós estamos perdendo uma filha
mas estamos ganhando um filho-
E devo eu então perguntar Onde é o banheiro?
Ó Deus, e o casamento! Toda a família e amigos dela
e só um punhado dos meus, esfarrapados e barbudos
esperam a hora dos drinks e da comida
E o padre! me olhando como se eu me masturbasse
perguntando Você aceita esta mulher como sua legítima esposa?
E eu tremendo o que dizer digo Azeito!
Eu beijo a noiva todos aqueles homens chatos dando tapinhas em minhas costas
Ela é toda sua, garoto! Ha-ha-ha!
E nos seus olhos você poderia ver acontecendo uma obscena lua-de-mel-
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