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O segredo do corpo presente

setembro 5, 2015

Em um texto chamado A verdadeira aparência das pessoas (em tradução minha), o massoterapeuta americano Dale Favier, acostumado a ver corpos nus diariamente, compartilha uma visão belíssima e necessária sobre a aparência do corpo humano em sua nudez. Traduzi alguns destaques para compartilhar porque me comoveu o olhar dele sobre o assunto e sinto que não há gente suficiente falando sobre isso. Espero que seja inspirador e útil para você como foi para mim.

Foto por Ramona Zordini, clique para ver a série completa

Foto por Ramona Zordini, clique para ver a série completa

(…)

Vamos começar com a aparência que ninguém tem: ninguém se parece com as pessoas nas revistas ou nos filmes. Nem mesmo modelos. Ninguém. As pessoas magras têm a crueza dos ossos mais aparentes e a superfície de sua pele parece ter uma espécie de “acabamento fosco”, o que é muito bonito. Mas elas não têm seios e bundas roliços e arredondados. Se você têm seios e bunda roliços e arredondados, sua barriga e coxas também são roliças e arredondadas. É assim que a coisa funciona (e isso também é muito bonito.)

As mulheres têm celulite. Todas elas. É bonitinho, são como covinhas. Não é um defeito. Não é um problema de saúde. É a consequência natural de não ser feita de pixel photoshopados e de não ter sido criada por um aerógrafo.

(…)

Adultos têm flacidez. Não importa o quão em forma estejam. A cada década, a pessoa adulta vai ficando mais flácida. Todos os tecidos vão ficando mais frouxos. Além disso, eles vão enrugando. Eu não sei quem começou o boato de só pessoas velhas ficam enrugadas. Você começa a enrugar quando começa a flacidez começa, assim que você cresce totalmente e o processo vai progredindo naturalmente enquanto você estiver vivo. E esperamos que você viva muito tempo, não é mesmo?

Todo mundo é lindo em uma mesa de massagem. Não há exceções a essa regra. Naquele primeiro suspiro longo, no momento em que a pessoa pensa “Agora eu posso parar de segurar, estou em segurança” — começa uma espécie de luminosidade, um brilho. Dentro de alguns minutos todo o corpo vai ficando radiante com essa luz. Ela inunda todo o ambiente: ela inunda o massoterapeuta também. Dizem que os massoterapeutas são cuidadores e eu acho que somos, mesmo: gostamos de cuidar das pessoas, somos facilmente movidos à ternura. Mas vou contar um segredo aqui: eu faço pelo brilho.

Vou contar para vocês com o que as pessoas se parecem, de verdade: elas se parecem com chamas. Ou com estrelas, em uma noite de céu limpo, no meio do nada.

Porque eu vivo há décadas em um corpo de mulher, me acostumei a aceitar como normal o constante escrutínio do meu corpo. “Isso aqui tá gordo, ó. E aqui tá mole, e ali tá feio.” Mesmo que você não viva em um corpo de mulher, certamente você conhece essa sensação. A rejeição do próprio corpo é uma epidemia.

Por isso, neste momento, te convido a fazer comigo um pacto: não esquecer nunca para que serve o nosso corpo. Sempre que olhar para o seu corpo nu no espelho, ou sentir a textura de sua pele,  proponho uma respiração profunda para lembrar que essa luz, esse calor, só podem existir no recinto porque seu corpo está ali.  Com o bombardeio de representações ficcionais do corpo que nos cerca, é fácil esquecer que nossa verdadeira aparência é radiante. E quanto mais a gente esquece,  mais vai se apagando.

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